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Notícias

11/08/2017

Diário Matinal Coinvalores - 11 de agosto de 2017

 

Bom dia,

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Projeções para as contas públicas pioram. O relatório Prisma, que contempla as estimativas para os resultados fiscais da União, mostrou relevante variação no resultado primário previsto pelo mercado. A mediana de 2017 saiu de um déficit primário de R$ 147 bilhões para R$ 154,8 bilhões agora e essa expectativa provavelmente será considerada pelo governo que emitiu nota oficial ontem afirmando a continuidade das discussões a respeito da mudança da meta fiscal para a próxima segunda-feira. Para 2018, o déficit primário passou de R$ 128,3 bilhões para R$ 132,3 bilhões, piora também relevante, mas ainda próxima da meta, hoje em R$ 129 bilhões. Essa meta deve ser provavelmente alterada em conjunto com a anterior, denotando a atual fragilidade das contas públicas.
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Inflação alemã veio dentro do previsto. Segundo os dados finais publicados hoje cedo pela agência de estatística do país, o CPI referente a jul/17 avançou 0,4% em relação ao mês imediatamente anterior e +1,7% na comparação com jul/16. Esse resultado ficou dentro das estimativas de mercado e, dessa forma, não influencia muito as bolsas europeias na sessão de hoje.

CPI também será o destaque nos EUA. Hoje pela manhã sairão os dados de inflação ao consumidor norte-americano referentes ao mês passado, de onde se espera avanço nos preços ao redor de 0,2% na margem e de 1,8% anualmente, ficando ainda um pouco aquém da meta anual do Fed de 2%. Por falar na autoridade monetária, dois presidentes regionais farão discursos nesta sexta-feira e poderão mexer com as apostas do mercado sobre o timing para a próxima alta dos juros por lá. Nossa expectativa é de que o próximo aumento venha somente na reunião de dezembro deste ano.

Bolsas seguem em queda com tensão entre Trump e Kim Jong-un. Com a crescente preocupação acerca das ameaças de parte a parte, os mercados seguem pressionados nessa sexta-feira. Por aqui, além da aversão ao risco global que deve pressionar o Ibov na abertura, o mercado fica atento à temporada de balanços, que comentamos abaixo.
 

 

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Bom resultado da CSU (CARD3). A companhia continuou a mostrar resiliência na sua divisão de cartões com evolução na receita na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, mesmo com o fim do contrato de adquirência com o Banrisul no final de junho de 2016. As margens da divisão vieram um pouco menores na comparação anual, por esse fator, mas já mostrando recuperação na comparação com o 1T17. Destaque para o crescimento da base de cartões em 4,1% em apenas três meses, o que levou ao crescimento de 5,1% na receita líquida da divisão nesse mesmo período. Na divisão de call center, não tivemos uma reversão do cenário mais complicado para as operações, porém, o destaque do trimestre foi a recuperação das margens da divisão, por conta da readequação de seu quadro de pessoal nos últimos trimestres. O EBITDA da divisão era de R$ 209 mil há doze meses, foi a R$ 709 mil ao final de março desse ano e agora chegou a R$ 1,2 milhão. A elevação da base de cartões e a melhora nas margens de call center levaram a elevação de 9,2% do lucro líquido em três meses. Mantemos nossa visão positiva para os papéis da companhia após a entrega de um sólido 2T17.

Mais um resultado pressionado das construtoras (EZTC3, GFSA3 e CYRE3). As três construtoras voltadas para média e alta renda continuaram sofrendo com a fraca demanda e com distratos ainda elevados. Novamente, a Eztec é a que trouxe os números mais saudáveis, com margens comprimidas historicamente, mas com lucro líquido, ainda que com queda em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Já Cyrela e Gafisa amargaram prejuízo nesse segundo trimestre, mas com números que vieram dentro do esperado, também. O panorama de curto prazo do setor ainda é complicado, mas esperamos uma queda nos distratos ao menos, a partir do final desse ano. Recomendamos exposição ao setor, para investidores com foco em retorno de médio/longo prazo e nossa predileção segue sendo pelos papéis da Eztec que apresentam um perfil de risco muito menor que seus pares em Bolsa.

Tenda (TEND3) segue com boa performance de vendas, mas margens pressionadas. Assim como ocorreu nos últimos trimestres, os números da Tenda vieram fortes no tocante a vendas, com alta de 2,0 p.p. na velocidade de vendas (medida pelo indicador VSO - vendas sobre oferta) em apenas três meses, e repasses, o que ajudou a geração de caixa do período, positiva em R$ 62,8 milhões. Porém, a notícia não tão boa do trimestre é que o patamar de margens se manteve inalterado frente o 1T17, em um nível aquém do ideal. Como essa dinâmica já vinha se mostrando nos últimos trimestres, não esperamos grande impacto da divulgação nos papéis da companhia.

Gol (GOLL4) mantém boa taxa de ocupação em julho. A cia aérea divulgou sua prévia operacional de julho com elevação tanto na oferta quanto na demanda na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o que vemos como uma boa notícia. A taxa de ocupação ficou um pouco menor do que julho/16, mas em um patamar que consideramos saudável. Os números de julho ajudaram a Gol a ter leve elevação na demanda no acumulado do ano, em 1,5%.

Petrobras (PETR4) reporta números aquém do esperado. Contrariando as estimativas, a Petrobras teve um trimestre fraco, o que deve pesar sobre suas ações no pregão de hoje. O lucro líquido do 2T ficou em apenas R$ 316 milhões, impactado pela adesão de aos programas de regularização tributária, no montante de R$ 6,2 bilhões,  e por nova provisão para perdas. Além disso, a venda de derivados caiu 8,3% na comparação anual, afetado não só pelo fraco dinamismo interno, mas também pela perda de participação de mercado. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o desempenho também foi frustrante, com redução no volume de exportações, no EBITDA e no fluxo de caixa e livre, enquanto o endividamento se manteve praticamente estável.

Vale (VALE5) tem sucesso no plano de conversão de ações. A mineradora anunciou o resultado parcial do processo de conversão voluntária das ações PNs em ONs, que já atingiu 72,2% do total das ações preferenciais em circulação, bem acima da adesão mínima requerida de 54,09%, o que deve favorecer o desempenho de suas ações. Lembramos que hoje é o último dia para os acionistas que queiram aderir à conversão voluntária. Para saber mais sobre o processo e nossa recomendação, acesse nosso comunicado aqui.

Números surpreendentes da Kroton (KROT3). A instituição de ensino superou mais uma vez as projeções de mercado com seu desempenho nesse 2º Trim/17. No comparativo anual com os dados ajustados pela venda a Uniasselvi, a receita líquida cresceu 9,2%, o EBITDA aumentou 10,7% e lucro líquido subiu 14,8%. Adicionalmente ao desempenho melhor que o esperado, a companhia distribuirá dividendos aos acionistas posicionados ao fim do pregão de 17/ago/17, o que deverá levar ainda mais as ações KROT3 para o campo positivo. Serão distribuídos R$ 207,9 milhões em proventos, equivalentes à R$ 0,12 por ação, aproximadamente, sendo que o pagamento será feito em 28/ago/17 e o dividend yield está próximo a 0,9% considerando a cotação de fechamento de ontem.

Desaceleração nos resultados da JSL (JSLG3). O segundo trimestre desse ano mostrou um leve arrefecimento nas operações do grupo logístico. Parte do resultado já era de conhecimento do mercado em função da publicação do balanço da sua subsidiária, a Movida (MOVI3), no último dia 8 e que destacamos em nosso diário da quarta-feira. Porém, além da queda na rentabilidade do negócio no rent a car, a prestação de serviços logísticos e a venda de ativos cresceram menos do que esperávamos e também em relação ao próprio guidance da companhia. Sobre o 2º Trim/16, a receita líquida avançou 10,6%, o EBITDA apenas 3,1% e houve a reversão do prejuízo em lucro líquido de R$ 13,9 milhões neste trimestre. Contudo, os ativos JSLG3 podem ficar pressionados pelo desempenho um pouco mais fraco nesse trimestre.

Performance satisfatória da Log-In (LOGN3). Em meio ao processo de reestruturação organizacional, a companhia tem se desfeito de ativos para melhorar sua estrutura de capital. Portanto, iremos analisar seus números recorrentes, ao invés de fazer a avaliação pelos dados consolidados neste período. Em relação ao 2º Trim/16, a receita líquida ficou praticamente estável (+0,3%) diante da recuperação de volume em alguns nichos de atuação da empresa. Com a forte redução de gastos operacionais, o EBITDA dobrou entre os períodos, mas, ainda sim, houve a reversão do lucro em prejuízo líquido neste trimestre. Acreditamos que esse desempenho já estava na conta dos investidores, porém, os resultados mais nítidos da reestruturação da companhia poderão favorecer os ativos LOGN3.

Ser Educacional (SEER3) fará nova captação. O grupo de ensino superior informou que fará sua segunda emissão de debêntures não serão conversíveis em ações. Pretende-se captar R$ 200,0 milhões através de duas séries indexadas a variação do CDI e com spread de até 1,30% a.a. para a primeira série e de até 1,70% a.a. na segunda série, mas que serão definidas somente ao fim do procedimento de bookbuilding. Os recursos dessa emissão serão utilizados para o pagamento dos atuais empréstimos da companhia e reforço do capital de giro. A situação financeira da Ser é bastante confortável, sobretudo quando comparamos com seus pares em bolsa, e consideramos que o menor custo de capital favorecerá seus números mais adiante.

BRF (BRFS3) reporta números fracos. A companhia reportou fraco desempenho neste 2T17 com queda na receita líquida de 5,7%, EBITDA 39,1% menor e acabou revertendo o lucro líquido do 2T16 para prejuízo neste trimestre em análise. Este resultado ainda foi muito impactado pela operação Carne Fraca. No período em análise, a empresa reconheceu perdas de R$ 117,7 milhões relacionados a devoluções, fretes e armazenagem adicionais, além de ajuste no valor dos estoques. Acreditamos que suas ações irão performar negativamente no pregão de hoje, refletindo o fraco resultado reportado neste 2T17.

Lojas Marisa (AMAR3) mostram números negativos neste 2T17. A companhia veio com números fracos neste 2T17, apresentando queda de 8,9% na receita líquida, redução de 30,5% no EBITDA, e ainda apresentou prejuízo, no entanto, veio melhor que o reportado no 2T16. A operação de varejo continua sendo afetada pelo cenário ainda fraco, além disso, a disputa por preços foi mais acirrada, onde um número relevante de varejistas optou por antecipar sua Liquidação de Inverno já na segunda quinzena de junho. Acreditamos que as ações da companhia irão ter desempenho negativo, dado o resultado ainda fraco da Marisa.

Lojas Americanas (LAME4) melhora seus números no 2T17. A Lojas Americanas apresentou números melhores neste 2T17, com crescimento de 4,0% na receita líquida, 10,2% no EBITDA e o lucro líquido ficou 23,9% maior se comparado ao mesmo período do ano anterior. No entanto, no comparativo do 1º semestre a companhia veio com números menores se comparada ao 1S16, dado o fraco desempenho reportado no 1T17. A melhora no resultado do 2T17 vem refletindo as maiores vendas, principalmente pela Páscoa. Além disso, a companhia teve uma melhora em suas margens, reflexo de uma maior eficiência operacional das lojas e da maturação dos diversos projetos para a redução de custos e despesas.

B2W (BTOW3) continua sofrendo. A companhia reportou fraco desempenho neste 2T17, com queda de 7,9% em sua receita líquida, redução de 14,0% no EBITDA e elevação no prejuízo líquido em relação ao 2T16. A B2W manteve seu fraco desempenho mesmo mudando seu modelo de negócio, saindo de um modelo de negócios, de e-commerce tradicional para modelo híbrido de plataforma digital. Mesmo acreditando que o seu desempenho tende a melhorar, com a rápida trajetória de crescimento do marketplace, consideramos que seus concorrentes, já estão com plataformas consolidadas e dando resultados, como é o caso da Magazine Luiza. Desta forma, consideramos que seus números possam vir melhores no futuro, no entanto, um pouco atrasada em relação aos seus concorrentes. Além disso, a companhia ainda está muito alavancada, mesmo depois do aumento de capital, hoje sua dívida líquida/EBITDA está em 3,1x ante os 3,2x no 1T17.

Carrefour Brasil (CRFB3) apresenta números satisfatórios. A companhia reportou crescimento de 8,1% em sua receita líquida consolidada, elevação de 3,5% no EBITDA, no entanto, o seu resultado final veio menor em 3,4%, se comparado ao 2T16. As vendas no conceito mesmas lojas do grupo subiram 5,4%, excluindo os postos de combustíveis, com o Atacadão apresentando alta de 4,9% neste mesmo conceito. Vale comentar que o EBITDA foi impactado pelos desempenhos do CSF, dada a mudança que restringiu o uso do rotativo no cartão de crédito, bem como o investimento na implementação do cartão de crédito Atacadão, pois se excluímos a receita de serviços financeiros (CSF) da conta do EBITDA, o crescimento teria sido de 20,8%, com o EBITDA do Atacadão em alta de 27,2% e do Carrefour Retail de 10,3%. A queda no lucro é reflexo do problema exposto acima, com o CSF, e de maiores despesas financeiras.

Light (LIGT3) apresenta melhora operacional, mas financeiro segue pressionado. O segmento de distribuição continuou pesando sobre os números da companhia, levando a um prejuízo de R$ 51 milhões no período, pouco inferior aos -R$ 58 milhões do 2T16. Em termos operacionais houve importante melhora nos indicadores de continuidade no fornecimento e em perdas. Por outro lado, houve retração anual de 10% no consumo do mercado cativo, o que aliado ao expressivo aumento das provisões, sobretudo pelo maior volume de recuperação de energia, pressionou a geração de caixa e lucro do trimestre. Essa divulgação deve trazer influência marginalmente negativa para o desempenho de suas ações hoje.

Já a Copel (CPLE6) tem números um pouco melhor do que o esperado. A expressiva queda nas principais linhas do resultado deste trimestre decorre principalmente da forte base de comparação, já que no 2T16 houve o reconhecimento, não recorrente, de uma receita de R$ 977,8 milhões referente à indenização dos ativos de transmissão. Expurgando esse efeito, o EBITDA da elétrica aumentou 46% em doze meses, impulsionado pelos efeitos positivos do 4° Ciclo de Revisão Tarifária, que compensou a retração do mercado cativo, e pelo maior preço de venda no mercado de curto prazo. Além disso, a companhia anunciou que não pretende realizar a oferta subsequente de ações, pois há alternativas mais atrativas que dão suporte a realização de seu plano de investimentos. Papéis CPLE6 devem responder de forma positiva.

Iochpe-Maxion (MYPK3) e Metal Leve (LEVE3) reportam bons resultados. Ambas as companhias apresentaram bons números, puxados pelo maior volume de vendas no mercado interno, já que o resultado das exportações foram afetados pela valorização do real entre os períodos. A maior diluição dos custos fixos e as iniciativas para redução de despesas também colaboraram para o crescimento do EBITDA ajustado, em cerca de 15% nos dois casos, sobre o 2T16. A alavancagem da Iochpe seguiu importante trajetória de redução, enquanto a Metal Leve continuou com baixo endividamento. Esperamos reação positiva de LEVE3 e MYPK3.

Resultado financeiro pressiona lucro da CPFL Energia (CPFE3). A elétrica reportou desempenho fraco, com os impactos da aquisição da RGE corroendo parte da margem operacional. A alta nos preços de aquisição de energia aliado a baixa de ativos, na CPFL Renováveis, e ao aumento dos dispêndios com previdência privada, devido ao laudo atuarial do ano, também pesaram e compensaram, em boa medida, o maior faturamento do período. Não obstante, a maior despesa financeira culminou na retração anual de quase 50% no lucro líquido. Essa divulgação não deve trazer forte movimentação para os papéis da companhia, que continuam respondendo, majoritariamente, a OPA que deve ocorrer nos próximos meses.

Apesar do lucro, resultado da Renova (RNEW11) segue fraco. A reversão do prejuízo registrado doze meses atrás em lucro de R$ 134 milhões neste trimestre se deve a contabilização de um ganho, não recorrente, na linha de investimentos, devido à alienação das ações da TerraForm Global. Expurgando esse efeito, além do prejuízo, o EBITDA seria negativo em R$ 11,7 milhões, sobretudo em razão do aumento nos gastos gerenciáveis e no maior custo com compra de energia. Como os resultados fracos já eram esperados, a divulgação deve ter pouco impacto sobre suas ações, que, no curto prazo, continuarão respondendo a perspectiva de capitalização.
 

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Bons negócios.


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