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Notícias

12/02/2019

Diário Matinal Coinvalores - 12 de fevereiro de 2019

Bom dia,

Cautela continua no texto do Copom. A divulgação da ata nesta manhã reitera a cautela do comitê quanto à inflação, mesmo que com o arrefecimento dos riscos inflacionários. Além disso, a ata cita que “todos os membros do comitê voltaram a enfatizar que a aprovação e implementação das reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na economia brasileira são fundamentais para a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e estável, para o funcionamento pleno da política monetária e para a redução da taxa de juros estrutural da economia, com amplos benefícios para a sociedade”. Desta forma, o tão esperado texto da reforma da previdência segue sendo o principal catalisador para o mercado no curto prazo. A possível alta de Bolsonaro cria uma expectativa maior para o anúncio do texto ainda nessa semana, o que traz uma perspectiva mais positiva para Bolsa no curtíssimo prazo.

Bolsas sobem com acordo no Congresso americano. A liberação de US$ 1,375 bilhão para a segurança na fronteira acordada ontem à noite por democratas e republicanos, acaba por reduzir o risco de um novo shutdown, ainda que o valor seja bem inferior ao pretendido por Trump. O acordo dá um novo fôlego às Bolsas lá fora. Outro ponto que anima o mercado, em especial na Ásia, é o encontro entre EUA e China, que se inicia na próxima quinta. Vale lembrar que o prazo para um acordo, que evitaria a elevação de tarifas sobre produtos chineses, se aproxima (02/mar). Ainda no exterior, o mercado acompanha as falas de representes do Fed e a do presidente do BoE, que deve comentar a fragilidade da atividade na zona do euro.

 

Resultado pressionado da São Martinho (SMTO3). A moagem de cana caiu 7,9% nos três trimestres da safra atual na comparação com a passada, com uma queda mais acentuada nesse trimestre em análise, principalmente por conta das condições climáticas desfavoráveis, com chuvas aquém do esperado durante toda a safra. Além disso, o preço do açúcar, apesar de uma recuperação em setembro / outubro, seguiu mais pressionado nos meses seguintes. A queda no preço da gasolina no final do ano passado também é um fator negativo para a companhia, pois diminui a atratividade do etanol na bomba. O resultado disso tudo foi uma retração de 6,3% na receita líquida trimestral, de 16,1% no EBITDA e de 60,9% no lucro líquido sempre em comparação com o mesmo trimestre da safra passada. Esperamos os papéis da companhia sigam mais pressionados no curto prazo.

Números pressionados da BB Seguridade (BBSE3). O resultado financeiro da seguradora veio bem pressionado em 2018, especialmente no segmento de previdência, com parte dos passivos indexados ao IGP-M, que apresentou forte elevação no ano passado. Operacionalmente, a sinistralidade ficou acima do observado no mesmo trimestre do ano anterior, também ajudando a pressionar as margens da companhia. O resultado foi uma queda de 10,7% no lucro líquido ajustado na comparação com o 4T17. A companhia também divulgou o guidance para 2019, com expectativa de crescimento entre 5% e 10% no lucro, o que ainda não compensaria a queda de 9,3% mostrada em 2018. Também consideramos que os papéis devem seguir pressionados.

Resultado consistente da Comgás (CGAS5). O desempenho excepcional apresentado pela companhia à primeira vista se deve principalmente ao impacto positivo de eventos não recorrentes, como o encerramento de disputas judiciais e o reconhecimento de créditos tributários, que levaram a um ganho de cerca de R$ 800 milhões no trimestre. Expurgando tais efeitos, o resultado da Comgás foi saudável, com o crescimento no número de ligações e no volume de vendas propiciando crescimento de 11,7% no EBITDA normalizado, frente ao 4T17, apesar da variação no preço do petróleo e do câmbio. Já o lucro líquido ajustado subiu 29,8% no período, favorecido pela menor despesa financeira. Contudo, a divulgação deve exercer pouca influência sobre os papéis preferenciais da companhia, tendo em vista o leilão marcado para o próximo dia 08 de março, para aquisição das ações, pela Cosan (CSAN3), por R$ 82,00.

Tenda (TEND3) propõe desdobramento e divulga guidance. A incorporadora voltada para baixa renda quer desdobrar suas ações na proporção de uma para duas ações. A companhia vai marcar uma AGE para aprovar o desdobramento e a data ex seria o dia após a assembleia. A Tenda ainda divulgou as suas projeções para 2019, estimando margem bruta entre 34% e 36% e vendas líquidas entre R$ 1,95 bilhão e R$ 2,15 bilhões. Em 2018, as vendas líquidas da Tenda foram de R$ 1,85 bilhão e a margem será conhecida na divulgação dos resultados, prevista para o mês que vem. O crescimento estimado das vendas fica, portanto, entre 5,4% e 16,2%, bem forte. Esperamos reação positiva do mercado ao guidance para o ano.

Vale (VALE3) continua no radar. Em matéria divulgada no final do dia de ontem, a Reuters afirmou que teve acesso a um relatório da própria Vale, de outubro de 2018, que mostra que a barragem que se rompeu, em Brumadinho, "tinha duas vezes mais chance de se romper do que o nível máximo tolerado pela política de segurança da empresa". Por sua vez, a Vale alegou que tal relatório compreende as opiniões de engenheiros que trabalham dentro de procedimentos rigorosos e que não existe nenhum documento que mencione risco de colapso iminente na barragem. Ademais, o IBAMA anunciou que desde a última sexta-feira (08/02) vem aplicando multa diária de R$ 100 mil para a mineradora. Essa cobrança deve cessar a partir do momento em que a companhia "executar um plano de salvamento de fauna silvestre e doméstica". Diante desse fluxo de notícias negativas, os papéis da Vale devem continuar pressionados no curto prazo, embora, no médio e longo ainda exista interessante potencial de valorização.

 

Bons negócios!

 


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