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Notícias

15/02/2019

Diário Matinal Coinvalores - 15 de fevereiro de 2019

Bom dia,

Enfim saiu o texto da previdência. Aos 45 do segundo tempo do pregão de ontem veio a confirmação da idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para homens, com um tempo de transição de 12 anos, condições até um pouco melhores do que o mercado esperava. No entanto, o imbróglio envolvendo o ex-presidente do PSL e atual secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, pareceu tirar o ímpeto da subida pós-anúncio. Hoje saiu o índice de atividade econômica que veio abaixo do esperado. O IBC-BR cresceu 0,21% em dezembro em relação a novembro e no acumulado do ano, o índice teve alta de 1,15%. Já o IGP-10 ficou em 0,40% em fevereiro, após ter sofrido deflação de 0,26% em janeiro. Essa elevação reflete o maior avanço no índice de preços ao produtor. A taxa acumulada em 12 meses está em 6,98%.

Bolsas pressionadas lá fora. Na Ásia, os mercados ainda repercutem os dados mais fracos do varejo norte-americano de dezembro, que mostrou a maior retração mensal em quase dez anos. Além disso, os dados de inflação na China vieram aquém do esperado nessa madrugada, mais um sinal de desaceleração da atividade que ajudou a manter as Bolsas do oriente no vermelho. Na Europa, onde as Bolsas estavam no final do pregão quando os dados americanos foram divulgados, o dia também começou pressionado, mas após uma abertura no vermelho, os índices europeus operam agora em leve alta com o superávit comercial do bloco superando as expectativas nessa manhã. Nos EUA, uma bateria de indicadores é esperada para o decorrer do dia, com índices relevantes no radar como a produção industrial e os dados de janeiro no varejo. Apesar de um dia agitado lá fora, que ainda tem a reunião de autoridades americanas e chinesas em Pequim, a Bolsa paulista deve responder mais ao noticiário doméstico, que comentamos mais acima.
   

 

Bom resultado da Cosan (CSAN3). O volume de combustíveis vendido pela Raízen, novamente, subiu mais do que a média do setor, em razão da estratégia de suprimento e comercialização da companhia, que segue propiciando ganhos de market share. Ao todo, as vendas do 4T18 cresceram quase 4% em um ano, com o volume de etanol e diesel mais do que compensando a demanda ainda fraca por gasolina. A incorporação do negócio da Argentina também trouxe impacto positivo, com acréscimo de R$ 82,1 milhões (cerca de 10%) no EBITDA do segmento no trimestre. A Comgás apresentou números robustos, já conhecidos pelo mercado, assim como a Moove, de lubrificantes, que tirou bons frutos da expansão internacional de suas operações, com ganhos de sinergia e mix favorável de vendas. A Raízen Energia, por outro lado, continuou enfrentando um cenário mais adverso, com a seca prejudicando a produtividade dos canaviais e o preço do açúcar em queda lá fora. Esse foi o único segmento de negócios a não atingir o guidance de EBITDA no ano. Ainda assim, o EBITDA consolidado da Cosan avançou 22,9% frente ao 4T17 e o lucro líquido, alavancado pelo melhor resultado financeiro, quase dobrou no período, com alta de 93,3%. Os papéis da companhia devem reagir de forma positiva à divulgação.
   
Números mais fracos da Usiminas (USIM5). Com uma série de não recorrentes, incluindo impairment e queda nas vendas de aço e minério, a Usiminas registrou EBITDA 46% menor frente ao 3T18, com queda de 7 p.p. na margem. Em siderurgia, o volume foi afetado pela demanda doméstica mais tímida e pela parada programada para manutenção em um alto forno. O controle de custos e os preços estáveis não foram suficientes para compensar a queda de 7% nas vendas em três meses. Em mineração, o volume de vendas ao mercado externo foi o principal vilão, já que a cotação da commodity seguiu patamar elevado. Além da piora em termos operacionais, a siderúrgica registrou R$ 472,8 milhões de impairment e outros R$ 93,3 milhões de provisões para perdas judiciais, o que foi parcialmente compensado pelo reconhecimento de créditos fiscais. Logo, ainda que no consolidado de 2018 a Usiminas tenha apresentado bom resultado, vislumbramos que a divulgação desse trimestre deve pressionar suas ações ao longo do dia.

Grendene (GRND3) reporta tímido resultado. No último trimestre do ano, a companhia conseguiu melhorar suas vendas por conta do maior volume no dia das crianças, já que as vendas da black friday e do natal foram mais tímidas, principalmente no mercado interno, que avançou 6,5% em volume de pares, motivando o aumento de 5,2% em seu faturamento líquido no período em relação ao 4T17. Já o EBITDA e o resultado final foram afetados pela elevação das despesas de publicidade no período, sendo parcialmente compensada pela alta no resultado financeiro. A companhia também anunciou a distribuição de JCP e dividendos no valor líquido de R$ 0,1376 por ação, ficando ex-proventos no dia 24. O yield desta operação é de 1,54% referente ao fechamento de ontem, com o pagamento no dia 08/05. A empresa também comunicou que não dará mais guidance. Vale lembrar que a última divulgação de guidance foi feita com meta em 10 anos de 2008 até 2018, com a proposta de crescimento da receita líquida entre 8% e 12% e lucro líquido entre 12% e 15%, entretanto, o percentual reportado nesse período foi de 6% e 9,4%, respectivamente. 

Sólido resultado da Smiles (SMLS3). Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a companhia apresentou forte elevação na receita com expansão forte nas margens, fechando 2018 com um trimestre bem positivo. A receita líquida teve bom crescimento também na comparação trimestral, mas itens não recorrentes no 3T18 atrapalham a comparação do EBITDA e do lucro líquido que vieram menores. O resultado consistente da companhia pode dar um fôlego aos papéis no curto prazo, tendo em vista que esses números podem ajudar os acionistas da empresa nas negociações com a Gol para o fechamento do capital da Smiles.

CCP (CCPR3) tem trimestre sem grandes surpresas. No top line, a venda de empreendimentos foi compensada pelo aumento na ocupação de áreas vagas, levando a uma estabilidade na comparação entre os dois últimos quartos trimestres. Alguma pressão na margem FFO nesse trimestre, com elevação nas despesas, que mitigaram o efeito positivo da redução do custo com vacância. Não esperamos um grande impacto nos papéis da companhia.

 

Bons negócios!

 


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