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Notícias

28/02/2019

Diário Matinal Coinvalores - 28 de fevereiro de 2018

Bom dia,

 

 PIB um pouco aquém do esperado. A indústria teve um trimestre mais pressionado no final de 2018, caindo 0,3% nos últimos três meses do ano, efeito compensado pelo avanço de 0,2% na agropecuária e em serviços, que levaram o PIB a uma alta trimestral de 0,1%, fechando o ano em 1,1% levemente abaixo da expectativa do mercado. Em Brasília, o noticiário segue um pouco mais negativo, dando conta da dificuldade em Bolsonaro formar uma base aliada. Por outro lado, a sinalização de firmeza da equipe política de Bolsonaro no tocante à economia que precisa ser gerada pela reforma, de R$ 1 tri em 10 anos, ameniza ao menos uma preocupação do mercado, que via divergências na visão da equipe liderada por Onyx Lorenzoni para a daquela liderada por Paulo Guedes. O PIB, as aparentes dificuldades de articulação do Planalto e o clima mais pesado lá fora podem ajudar a pressionar o índice hoje, que também responde a enxurrada de resultados divulgados entre ontem à noite e a abertura do pregão de hoje, que comentamos abaixo.

 

China segue em desaceleração. O ritmo de desaceleração no gigante asiático se acentuou em fevereiro, com os dados da indústria, divulgados pelo próprio governo, ficando aquém do esperado, em 49,2 pontos, o nível mais baixo em quase três anos. O setor de serviços também piorou nesta leitura, mas, ao menos, seguiu no campo que indica expansão da atividade. Parte desse desempenho negativo, entretanto, se deve ao feriado de ano novo, que parou as atividades por uma semana no começo do mês. Outra parte é atribuída a fraqueza da demanda externa. Hoje, já no finalzinho do dia, será divulgado o PMI industrial medido pelo Markit.

Bolsas pressionadas à espera do PIB americano. O principal indicador na agenda, hoje, será divulgado às 10h30 (de Brasília) e deve ajudar a definir uma direção para os mercados que agora pela manhã ficam mais pressionados pelos dados mais fracos na China e o fim do encontro entre Trump e Kim Jong-un aparentemente sem grandes avanços. O clima da reunião, no entanto, parece ter sido amigável e o risco de uma escalada de tensões entre as partes parece distante.

   

Petrobras (PETR4) firma rota positiva em 2018.Interrompendo uma sequência de quatro anos consecutivos de prejuízo, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 25,8 bilhões no último ano. Expurgando uma série de itens não recorrentes, como a reavaliação de ativos, chamado impairment, que afetaram o último trimestre, o resultado seria positivo em R$ 36 bilhões, com EBITDA subindo mais de 50%. Olhando para o desempenho do 4T18, houve ligeira desaceleração frente ao trimestre anterior, em reflexo da queda na cotação do petróleo e da menor produção de derivados, devido a um incêndio na refinaria de Paulínia. Ainda assim, diante do controle sobre custos e despesas, com destaque para o menor custo médio de extração, a companhia conseguiu aumentar sua margem EBITDA para 31% (ou 34% sem itens extraordinários), contra os 30% do 3T18 e 17% no 4T17. Cabe destacar também a redução de sua alavancagem, com a relação dívida líquida/EBITDA saindo de 3,67x há um ano para 2,34x. Os papéis da companhia devem reagir de forma positiva à divulgação. A teleconferência, às 10h, e discussões no governo sobre a cessão onerosa também devem influenciar as ações PETR4 ao longo do pregão hoje.

Margens pressionadas da Sinqia (SQIA3) para fundamentar o crescimento futuro. A companhia viu seu EBITDA ajustado recuar 26,8% na comparação com o 4T17 por conta da elevação de R$ 2,5 milhões gastos para suportar a área de pesquisa, desenvolvimento e inovação, principalmente. Sem esse efeito, as linhas de EBITDA e lucro líquido também mostrariam avanço na comparação anual, como aconteceu com a receita líquida. Destaque para a parte recorrente da receita, que representou 81,2% do total, contra 70,6% há um ano. A companhia também segue focada em aquisições, indicando que enxerga oportunidades mesmo no curto prazo. Seguimos com uma visão positiva sobre o papel, apesar da pressão que vimos nos números desse trimestre.

Números ainda pressionados da CSU (CARD3). A companhia conseguiu entregar algum crescimento no top line na comparação com o trimestre imediatamente anterior, mas as margens vieram ainda mais pressionadas, com custos pontuais relacionados a eventos para promover os produtos da companhia junto a clientes e a base de custos mais baixa do 3T18 por efeitos não recorrentes. O negócio de adquirência, retomado no 3T18 em parceria com o Grupo Martins ainda não teve um efeito relevante no resultado. Não esperamos uma forte reação do mercado aos números que, apesar de pressionados, vieram dentro do esperado.

Venda de aeronaves turbina o resultado da Gol (GOLL4). A cia aérea reconheceu ganhos de R$ 634,7 milhões provenientes da venda de boeings 737 nesse trimestre, o que acabou inflando as margens no trimestre, que viriam bem pressionadas sem esse efeito. Combustível e câmbio, na média, ainda desfavoráveis em relação ao 4T17 explicam a maior parte da piora nas margens, desconsiderando as vendas das aeronaves. Consideramos o resultado (recorrente) aquém do esperado.

Movida (MOVI3) reporta avanço em seus números. A companhia teve um bom trimestre, com boa evolução no top line, de 16,6% em apenas três meses, com expansão de margens tanto na comparação anual quanto na trimestral, com melhora na taxa de ocupação e bom controle de custos e despesas. Esperamos reação positiva do mercado aos números divulgados.

Energias do Brasil (ENBR3) tem números mais pressionados. Excluindo o efeito positivo relacionado a alienação de dois empreendimentos, no montante de R$ 340,6 milhões, a companhia apresentou números mais fracos neste 4T18, com queda de 10,5% no EBITDA. O faturamento foi pressionado pelo menor despacho térmico no período, bem como pelo menor preço de venda no mercado de curto prazo. Por outro lado, também houve expressiva queda nos custos com compra de energia, o que levou a um ligeiro ganho de margem, de 1,1 p.p. frente ao 4T17. Já o lucro líquido foi alavancado pela menor despesa financeira no período.

Brasil e Canadá prejudicam os números da AmBev (ABEV3). No 4T18, o volume vendido caiu 3,8%, sendo compensado pelo aumento de 9,4% na receita por hectolitro. Dessa forma, a receita líquida do período ainda ficou 5,3% maior em relação ao mesmo período do ano anterior. Brasil e Canadá foram os países com a maior queda de volume. O EBITDA apresentou crescimento consolidado de 2,5%, com perda de margem EBITDA, motivada pelos maiores custos, impactados principalmente por preços de commodities, especialmente alumínio e cevada, e pelas pressões inflacionárias na Argentina. Com isso, o lucro líquido ajustado caiu 17,3% em relação ao 4T17. Excluindo os efeitos da hiperinflação, a companhia teria reportado neste 4T18 elevação de 4,9% no bottom line. Para 2019, a perspectiva é positiva dado os melhores fundamentos macroeconômicos, entretanto, espera-se a continuidade da pressão na margem, por conta do crescimento significativo de custos, em decorrência do câmbio (a taxa de hedge média para 2019 é de 3,61 BRL/USD contra 3,16 BRL/USD para 2018) e de maiores preços de commodities.

Fleury (FLRY3) tem seu resultado final afetado por maiores despesas financeira. O lucro líquido apresentou decréscimo de 10,0%, explicado, principalmente, por impactos pontuais de depreciação e despesas financeiras no período em análise. Já o faturamento cresceu 12,5% no 4T18 em relação ao 4T17, motivada pela integração de suas aquisições e melhoria dos sistemas. O EBITDA aumentou 11,2%, com margem EBITDA estável, por conta dos impactos relacionados à expansão de novas unidades. A companhia também anunciou a distribuição de dividendos, o valor de R$ 0,6874 por ação. Ex-dividendos a partir do dia 7 de março. O pagamento será em 31 de maio, o dividend yield desta operação é de 3,3%. Para 2019 a companhia espera melhor resultado decorrente do ganho de sinergias de todas as suas empresas recém-adquiridas. 

Burger King (BKBR3) reporta bons números. O lucro líquido do 4T18 teve um aumento de 283% em relação ao mesmo período do ano anterior. Grande parte dessa melhora é reflexo do crescimento da receita operacional, que vem crescendo pelas vendas em novos canais (mobile, app e delivery) e maior mix de produtos. Vislumbrando um cenário econômico melhor em 2019, a companhia segue focada em seu desenvolvimento via inovação em produtos e abertura de lojas. A companhia também anunciou a distribuição de JCP, no montante já líquido de R$ 0,0752 por ação, a data ex- JCP a partir de 8 de março, com pagamento em 29 de março de 2019.

Marfrig (MRFG3) reverte prejuízo no trimestre. No 4T18, a receita líquida veio 12% superior ao 4T17. Esse aumento é explicado, principalmente, pela depreciação do real em relação ao dólar entre os períodos, que compensou o menor abate na operação da América do Sul. O EBITDA apresentou expansão de 18%, com margem EBITDA crescendo 0,4 p.p. Essa performance é explicada pelos melhores resultados na operação da América do Norte, reflexo da forte demanda por proteína bovina e ampla disponibilidade de gado, além do efeito cambial e a recuperação da rentabilidade do setor na Argentina. No 4T18, considerando o melhor desempenho operacional e principalmente refletindo o impacto positivo do ganho de capital advindo da venda da Keystone, a companhia conseguiu reverteu o prejuízo acumulado até o 3T18, fechando o ano com um lucro líquido de R$ 1,4 bilhão. Para 2019, a perspectiva de uma melhora no consumo doméstico e a abertura de novos mercados, como Japão para o Uruguai e dos EUA para Argentina, aliado ao potencial de novas habilitações por parte da China para a região, deverão sustentar margens em patamares elevados.

Elevação no prejuízo da BRF (BRFS3). Nesse trimestre, do lado positivo, as melhores vendas e o crescimento do EBITDA refletem a maior rentabilidade no Brasil e no segmento Halal, indicando uma melhor execução comercial em ambos os mercados com foco na rentabilização da operação através de reajustes de preços, redução de despesas e melhor mix de produtos e canais. Ainda assim, o impacto da reavaliação dos ativos que foram vendidos pela companhia, resultou em um considerável prejuízo. No ano cheio de 2018, o fechamento de importantes mercados e questões sanitárias impactaram fortemente os números da BRF, prejudicada também pela greve dos caminhoneiros. Outro ponto de atenção é o seu endividamento, mesmo com o seu plano de desalavancagem, a companhia continua com uma relação dívida líquida / EBITDA de 5,12x no final de 2018, ante os 6,74x atingidos ao final do 3T18. A companhia acabou revisando o guidance de alavancagem financeira de 3,0x para aproximadamente 3,65x ao final de 2019. 

   

Bons negócios.


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